Enquanto danço...
nos filmes há umas tantas cenas românticas que envolvem dançar.
Antes de ter aulas de dança a par, pensei que seria possível
que a dança envolvesse algum romantismo com o par certo, claro!
Mas rapidamente essa ideia se esfumou.
No início, eu era só pés !?!?!?!
Toda a minha concentração se focava neles, em que eles se movessem na direção certa,
de preferência sem pisar o pé alheio.
É certo que após 3 anos de aulas de dança, eu já não penso nos pés na maior parte das vezes.
Eles são autónomos e descobri que o papel deles não é assim tão, tão difiícil.
Olhando para trás vejo que perdi muito tempo a pensar neles, .
Afinal eles limitam-se a dar passos, como caminhar, e quase sempre de igual forma.
Quando os pés sairam da mente, ela foi ocupada por outras preocupações:
1. Manter o equilíbrio - depender apenas de mim para suportar o peso do meu corpo, sem me apoiar.
2. Interpretar constantemente o que o
meu par me pede para fazer. Esta tarefa exige concentração constante,
atenção focada, porque algumas vezes nem eu sei como percebi. Se me
distraio dá logo asneira. A dança é essencialmente comunicação. Implica
aprender uma nova forma de comunicação. Há emissores e recetores,
perguntas, afirmações e respostas. Cada estilo tem o seu vocabulário, o
seu código. Se não escuto, não respondo, então algo falha. A magia
acontece quando não preciso de pensar no código de comunicação e a
resposta ou a afirmação é imediata. Quando consigo apenas responder,
comunicar, mostrando a mensagem e não pensando no 'como'.
3. Ouvir a música (eu sei, eu sei...
esta devia ser das primeiras), Mas muitas vezes, na verdade eu não oiço a
música. Estou tão ocupada com os elementos anteriores que essa se
evapora. Será o meu próximo passo, focar a minha atenção na música.
Assim, não tenho espaço mental para o romantismo, ou pensar muito no lado das emoções enquanto danço. Até quando olho para o meu par, não é porque o ache bonito ou queira me meter com ele, ou piscar-lhe o olho. Olho diretamente para o rosto dele apenas
porque pretendo manter o equilíbrio nas voltas ( e se dou muitas
voltas, especialmente na salsa). Tenho de manter um foco que me ajude a
não ficar tonta. Olho diretamente para o rosto dele para
perceber melhor o que tenho de fazer. Sei como é muito mais difícil,
fazer passos que não permitem o contacto visual.




