sexta-feira, 17 de abril de 2009

regressei à leitura dos clássicos
e não me arrenpendo
"«De quem é a culpa, que eu vou dar cabo do sujeito?»
«É da companhia Shawnee de Terras e de Gado. Eu apenas recebi ordens.»
«Não é ninguém. É uma companhia.»
(...) Toda a gente se cansou de andar à procura de alguém contra quem se assanhar. "





retrato de gentes que possuem uma relação umbilical com a sua terra
é a terra dos seus antepassados, dos recantos da sua história e da sua vida
é tal a ligação que choram e sofrem com ela, sem se revoltarem...
mesmo quando as colheitas ficam ameaçadas, quando os torrões de terra
há muito tempo perderam a fertilidade

a terra é um prolongamento do seu ser

sem meio de pagar as dívidas, estas gentes são expulsas
por entidades sem rosto, que os empurram
aqueles que amam a terra procuram um rosto
para lhe mostrar a revolta
quem sabe levar um murro
ou tremer perante uma espingarda

sem encontrarem o rosto,
não conseguem lutar

a terra perde os seus amantes
e torna-se escrava de uma amo desconhecido
subjugada a uma margem de lucro, a uma máquina
que a transforma, quem sabe, num deserto



digo por vezes que sou "sem terra"
também por graça
mas invejo este sentimento de pertença,
este lugar que se confunde com o ser,
que é palco e actor da própria existência

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